Domingo, 22 de Março de 2009

Jamal Malik - o milionário

Na sexta-feira à noite estive a um pequenino passo de sair disparada da sala de cinema e, cá fora, espancar o namorado com a mala que, diga-se em favor da verdade, está normalmente bastante pesada. Fui ao cinema.

Quando nos sentámos, o meu acompanhante disse-me, como antes me avisara do tempo para o fim-de-semana: «Sara, daqui a bocado aviso-te para não olhares, quando ele arrancar os olhos a um rapaz, está bem?». De olhos esbugalhados, respondi: «Estás a brincar, certo?». «Não…», disse ele, «mas é só mais à frente.»

O filme começou. «Sara, não olhes agora, que ele vai electrocutá-lo.» Com rapidez, fechei os olhos e ouvi o frenético som do aparelho de tortura.

Dali a pouco, uma criança emergiu de um monte de excrementos e, voltando à carga, o namorado alertou-me: «Daqui a pouco matam-lhe a mãe.». Desesperada, perguntei: «O quê?!» e ele descansou-me: «Ah, não faz mal. É à paulada.»

Juro que se o filme não tivesse acalmado e as crianças não tivessem crescido e chagado ao Taj Mahal, Slumdog Millionaire teria sido o filme objecto do meu ódio mais profundo e incondicional. Vencedor de 8 Óscares, a pérola de Danny Boyle é hoje um dos meus filmes favoritos.

Uma crítica social mordaz (o namorado não me perdoaria a omissão), uma história de coragem, perseverança e determinação e um amor encantado, escrito pelo destino. Os ingredientes para um sucesso inesquecível.

Jamal Malik é um jovem empregado num call center, quer serve chás e assiste à febre da versão indiana de Quem quer ser milionário?. Com uma história de vida mais rica que a de Ghandi e um sonho que é incapaz de abandonar, o rapaz de orelhas grandes vai ser recebido pelo país quando ganha 10 milhões de rupias no programa televisivo, um prémio que lhe custa o regresso às negras memórias que transporta. Como o fez?
A. Fez batota
B. Teve sorte
C. É um génio
D. É o destino

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