Todos os livros me deixam saudades. Aquela melancolia suave e a sensação de que perdi alguém que conhecia muito bem. Mas a Luís Bernardo Valença conhecia-o eu melhor do que alguma vez conhecera uma personagem de um romance. E, por isso, embora pudesse desejar o seu regresso a Portugal, compreendi o que fez, entendi por que se prendeu àquela terra.Mas Equador não pôde deixar de transmitir-me a sensação de que já lera uma história assim, de que já conhecia alguém assim, um dandy inveterado que, chamado ao amor, inevitavelmente cai. Falo, naturalmente, d’Os Mais, a pérola queirosiana, o Nobel do seu tempo.
É irresistível pensar o que teria sido se João tivesse estado com Luís Bernardo antes da desgraça. Talvez tivesse dito o que o outro, o da Ega, disse uma vez a um seu amigo, um tal de Carlos:
- Falhámos a vida, menino!
E talvez o governador de S. Tomé e Príncipe lhe tivesse dito, em resposta:
- Creio que sim... Mas todo o mundo mais ou menos a falha. Isto é falha-se sempre na realidade aquela vida que se planeou com a imaginação. Diz-se: «vou ser assim, porque a beleza está em ser assim». E nunca se é assim, é-se invariavelmente assado, como dizia o pobre marquês. Às vezes melhor, mas sempre diferente.
Brilhante, Sara!
ResponderEliminarO livro, Equador. Um dos meus preferidos.
E a analogia que fazes.
Comecei a ler o livro apenas depois de ter visto a série na TVI. Fi-lo ao contrário de qualquer mortal.
ResponderEliminarSinceramente gostei da Série, pela primeira vez conseguiram com actores nacionais fazer com que me prendem-se ao pequeno ecrân ao assitir a uma série Portuguesa "Novela" na TV, considero-a em termos de senço critico ao mesmo nivel da série Norte-Americana que já terminou e que segui em "Prison Break",julgo que não ficou nada atrás desta série nem daquela que ainda continuo a seguir e em que se encontra num interrégno até principios de 2010 a serie "Lost".
É certo que nas 3 não há sequer um fio condutor de semelhança, para mim apenas o simples gosto de seguir uma história ao qual são incrementadas várias estórias que levam o espectador a re-viver a mensagem transmitida habilmente pelos realizadores através da performance dos actores.
Voltando ao incío, julgo que para mim um individuo de gostou da série apenas posso concluir que adorei o Livro, como é óbvio numa série os realizadores e produtores são obrigados a incrementar estórias paralelas de que falei ainda à pouco com o intuíto de prender ainda mais o espectador à história essencial, contudo no Livro o mesmo é como o seu autor, pessoa de quem prezo e gosto das suas afirmações sociais, a história é contada de uma forma directa e com um cronologia de igual modo levando-me a mim a desejar ser o Luis Bernardo de Valença, mas que vida este homem teve, porque razão não temos todos uma história de vida assim?, porque razão corremos?
tantas vezes para todo o lado e ao mesmo tempo para lado nenhum!
A acompanhar o Livro, a Série e a excepcional Banda Sonora de Rodrigo Leão, gostei exemplarmente da interpretação de Felipe Duarte, julgo no entanto que a descrição de que Miguel Sousa Tavares faz do Governador de S. Tomé e Princepe não é própriamente a do referido actor, contudo o que lhe falta em aspecto físico conseguiu atingí-lo numa performance de me fazer inveja.
A Vida é assim mesmo vivemos obcecados por algo que nunca conseguimos atingir.
Saudações de um fan.